18 de setembro de 2011

Voltei? Parece que sim

Algumas coisas aconteceram desde o último post, e a falta de atualização foi uma consequência.

Perdi uma pessoa querida. Conheci mais um dos "círculos do inferno" e felizmente consegui sair dele enquanto me restava um pouco de sanidade.

Chorei, ri, bebi, briguei e fiquei feliz. Não necessariamente nessa ordem...

Agora é hora de fazer uma limpeza por aqui. Jogar coisas fora que já deviam ter sido jogadas, e começar os projetos que tenho em mente.

Um deles é meio... grandioso, digamos assim, e vou precisar de alguns colaboradores, gente que goste de escrever, saiba desenhar ou seja muito bom em webdesign. Quem estiver interessado de verdade, pode comentar aqui ou deixar um comentário no blog da Soraya, minha cobaia sócia.

Além disso, tem a ideia de uma história. Em breve escreverei um pouco sobre a Samanta, mas acho que não vou escrever muito enquanto o live continuar. Sim, estou jogando RPG. Sim, é um live. Sim, é vampiro.


Bom, segue um trecho de uma das coisas que o personagem escreve no diário (sim, ela tem um diário e sim, adoro fazer esse negócio de "sim para tudo"):

Não sinto mais.
Eles ordenaram e eles fizeram.
Tenho que ser uma boa menina.
Boas meninas são chamadas para brincar... E quero brincar com seus ossos enquanto gritam e imploram por perdão. 
Mas meninas boas não perdoam, só as tolas fazem isso. 
Meninas boas são espertas e se fazem de boas, mesmo quando não são!

21 de maio de 2011

Uma noite no hospital

Uma das coisas que me pergunto cada vez que preciso passar a noite em um hospital é o que fazer durante esse tempo. A resposta mais lógica seria dormir, mas não é tão simples assim, e tenho certeza que algumas pessoas vão concordar comigo.

Quando estou em um hospital por não estar bem, seja por causa de uma doença ou um pé bem torcido a ponto de virar uma bola, é difícil dormir durante a noite, ou porque estou com muita dor, o que inclui dor na bunda e nas costas de ficar muito tempo sentada, ou porque estou me sentindo zonza ou enjoada dos medicamentos. Mas, como cada louco tem a sua loucura, comigo não é diferente e sempre fico paranóica achando que vão me dar o medicamento errado ou que alguém vai ter um treco do meu lado a qualquer minuto.

Nessas horas de paranóia, enjôo ou dor é praticamente impossível dormir. Em alguns hospitais os pacientes têm a opção de ficar assistindo algum programa babaca ou filme chato que esteja passando na TV, e são raras as ocasiões em que está passando algum filme bom. No entanto, em outros hospitais, o paciente não tem o que fazer a não ser ficar olhando para a cara dos outros pacientes e enfermeiros.

Uma das coisas que sempre tenho vontade de fazer é ler, de preferência algo que não seja uma revista de fofoca, mas isso também é praticamente impossível.

Há uns cinco anos mais ou menos, pouco antes de passar por uma cirurgia, consegui fugir da regra e passei parte da madrugada lendo HQs que meu tio comprou numa banca de jornal próxima do hospital, pena que não durou muito a leitura, porque logo a médica me deu alta. Ok, na verdade foi ótimo não ter durado muito, porque se eu ficasse mais algum tempo naquela cadeira, logo criaria raízes.

Essa foi a primeira noite que passei no hospital. Só valeu pela HQ e pela corrida de cadeira de rodas em um dos corredores.

Depois disso foram inúmeras as madrugadas como paciente em um hospital, todas com dores terríveis antes da cirurgia, e uma delas com direito até a taquicardia provocada por um medicamento.

No fim chegou a noite pós cirurgia e eu já não via a hora de sair dali, me ver livre das enfermeiras que tentavam me obrigar a usar uma comadre para não ter que ir ao banheiro por causa dos efeitos da anestesia. Admito que quando sai foi o maior alívio que senti até então.

Alguns anos depois, lá estava eu de novo, mas dessa vez não era paciente. Minha função ali era a de acompanhar minha mãe, que teve um AVC. Uma semana inteira tentando dormir no hospital, mas falhei miseravelmente. Tentava ler, ver TV, até ficar olhando para o teto ou observando a vista da janela, mas dormir era impossível. Tinha medo de que algo acontecesse enquanto eu dormia, que a minha mãe tivesse alguma complicação e ninguém visse.

Agora aqui estou eu de novo, num hospital diferente, tentando não dormir, morrendo de dor de cabeça e fazendo companhia para a minha avó, que está em observação por causa de um hematoma devido a um traumatismo craniano.

Esse texto só vai ser publicado daqui há umas 12h mais ou menos, quando estiver em casa. Assim que acabar esse parágrafo vou salvar o arquivo no pen-drive, tentar ler algum livro e, na ultima hipótese, jogar um pouco de Mahjong, afinal dormir vai ser uma tarefa trabalhosa, para não dizer impossível.

12 de abril de 2011

Cansei de tentar ser jornalista

Ultimamente uma das minhas maiores dificuldades tem sido ficar animada. Alguns podem interpretar isso como uma recaída, coisa que não duvido que seja, mas sei que o motivo principal é desilusão e cansaço.

Agora vem algum engraçadinho comentar: “Mas com o que? Você não faz nada da vida e não tem com o que se preocupar.”.

Para esses engraçadinhos só tenho uma coisa a dizer: Vai tomar no cu! E isso vale pra qualquer pessoa que me disse isso nos últimos meses e que está lendo este texto. Porque uma das coisas que estão me deixando cansada é ter que ouvir mimimi dos outros e ficar quieta, afinal elas pensam que o problema delas com o vizinho ou com a unha é pior do que o de qualquer outra pessoa, mas isso é coisa que talvez eu aborde em outro texto.

“Voltando a nossa programação normal...”

Esse é meu problema. A minha profissão, pelo menos no diploma, o jornalismo.

Durante os quatro anos de faculdade ouvi professores reclamarem do mercado de trabalho saturado de jornalistas, dos salários baixos, dos editores, da censura, mas nenhum deles reclamava do jornalismo em si, no máximo dos jornalistas, e tenho que admitir que nisso eles estavam certos.

Na teoria o jornalismo é lindo. A busca e o comprometimento com a verdade, a imparcialidade e a objetividade, tudo isso unido para abrir os olhos do cidadão de bem, do trabalhador injustiçado e da população oprimida!

Então, sabe esse discursinho ai? É mentira! Não passa de uma cilada, história para boi dormir, conto de fadas...

Não duvido que a ideia a principio tenha sido essa, a de “fazer o bem”. Mas na prática não vemos isso.

Aquela penca de jornalistas que se formam todos os anos, que fazem o juramento bonitinho e tudo mais, todos sabem que dependendo de onde trabalharem não vão seguir as palavras que repetiram no palco, enquanto seus familiares aplaudiam e algumas câmeras filmavam.

Para começar nada melhor do que falar da imparcialidade. Ninguém é imparcial, impossível! A partir do momento que você escreve ou que você fala, você pensou num discurso, e esse discurso sempre está carregado com alguma ideia. Se você não tiver uma idéia sobre a qual falar, discorrer, então você não está pensando, no máximo está repetindo as ideias de outra pessoa, e isso é vendido como imparcialidade na banca de jornal mais próxima.

Daí podemos falar sobre a censura, tão criticada pelos nossos jornalistas, que enchem a boca para falar da época da ditadura, de como grandes jornais foram vítimas de um governo que quebrou suas redações e torturou seus funcionários.

Querem saber um segredo que não é lá tão secreto assim? Os próprios jornais se censuram. Os jornalistas se censuram, sejam os renomados sobreviventes da ditadura ou os focas de hoje. Todo mundo se censura.  Quando você decide que vai usar uma palavra ao invés de outra, isso é uma censura. Quando os jornalistas decidem em uma reunião pra definir a pauta que uma matéria vai entrar ao invés de outra, isso também é censura. É a censura que define quem é o seu público alvo, e esse público que você define também censura o que você publicar. Mas o público nesse ponto é o de menos, você tem que se censurar mais por causa dos anunciantes também. Se um dos teus anunciantes for o Governo Federal, por exemplo, cuidado com o que você vai escrever no caderno de política.

Tudo isso sem falar nas políticas internas de uma empresa jornalística...

Mas o que realmente me desiludiu com a profissão, além de todas essas coisas, é que não estou afim de me tornar uma jornalista que faz matérias iguais ou parecidas com outras e que as vende como inéditas. Também não quero ser uma jornalista que emburrece conforme é promovida. Não quero ser uma jornalista aplaudida por idiotas que aplaudem outros idiotas e que no fim falam que não gostam de idiotas. Não quero fazer reportagens sobre o que é preto ou o que é branco, sem nem citar os tons de cinza...

Resumindo, se o único jeito de ser reconhecida pelo meu trabalho como jornalista é ser igual a esses caras e fazer as coisas que eles fazem, com o discurso hipócrita de “faço o bem e só mostro a verdade”, então prefiro viver de artesanato e morando em baixo de um viaduto.